Maria de Pó

partículas de tudo

peço licença para falar sobre o rancor.

É um mal que eu carrego há muito tempo.

Já desejei mal aos outros muitas vezes ao longo da vida. Não são muitas as vezes que eu me lembro. As que eu esqueci, provavelmente, mudei radicalmente minha opinião sobre os fatos.
Neste texto, pouco importa se o fato me atingiu ou atingiu outra pessoa. É um vício ser rancoroso. Sou uma colecionadora de momentos ruins. Habitualmente, eu guardo na minha memória o acontecimento e mantenho no meu coração toda emoção.
A raiva do rancor tem um poder único. Somente com ela, eu consigo laçar meu pescoço com uma corda fina e resistente. Não o bastante, ela também me estimula a puxar as extremidades da corda em direções opostas com uma força descomunal. E após séculos puxando, eu esmago toda a estrutura que sustenta minha cabeça. Mesmo que minha cabeça seja pesada demais, com todas as memórias, eu sou capaz de separar elas do meu corpo, ao me decapitar com uma força que só a raiva do rancor pode me entregar.
A soberba do rancor tem uma energia especial. Capaz de transformar uma pequena fagulha no centro do meu peito, em uma fogueira ardente. As chamas crescem numa velocidade absurda alimentadas com as emoções colecionadas no seu coração. O calor insuportável derrete todas minhas vísceras imediatamente. Em menos de um milésimo de segundo, a soberba me consumiu por completo e meu corpo é reduzido em bilhões de partículas minúsculas até eu ser somente uma montanha cinzenta de poeira. Minhas emoções, tão grandes, são completamente fragmentadas por uma energia sobrenatural que somente a soberba do rancor pode me entregar.
O alívio proveniente do rancor é incomparável à qualquer outro. É tão bom destruir todo mal que eu conheço. Todas as memórias. Todas as emoções. Tudo aquilo que é maléfico. Tudo completamente aniquilado. É uma promoção! Destruindo dois, eu elimino três! Além de eu acabar com todos os males acumulados por mim mesma, eu também extermino um estorvo para tantos outros. Acumulo todo o mal e o destruo quando eu me torno ele mesmo, de tanto que ele está concentrado em mim.
O rancor é uma das bilhares maneiras que eu encontrei para me auto-destruir. É mais fácil eu não existir do que eu existir como oposto do que eu sou. (25/06/2025 – 23h30)

14/04/2026 – 14h45: O perdão é uma força que ressuscita para uma nova vida e infunde a coragem para olhar o futuro com esperança.

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