Como irei me transformar no meu oposto? E será o oposto realmente o certo? Existe o errado e existe o certo, sendo estes opostos. Seria eu inteiramente um ou inteiramente o outro? E se não por inteira, quais as partes são erradas e quais as partes são as as certas? Haverá partes meio certas e meio erradas ou seriam então duas partes, uma certa e outra errada? Existirá o certo concomitantemente errado? Logicamente, o certo é aquilo que não é errado e o errado é aquilo que não é certo.
Sou incapaz de distinguir exatamente qual a parte verdadeiramente certa e qual a parte verdadeiramente errada. Limitada por filtros invisíveis e irremovíveis, uma vez que são inerentes à minha existência. E somente a verdade absoluta será capaz de identificar precisamente a parte certa e a parte errada. Minha existência se limita naquilo que eu sou. Sendo eu somente aquilo que eu sou, nada além disso. Uma existência limitada com fronteiras tão curtas como a distância de meio metro, em uma infinidade de existências tão longas, que com minhas limitações não sou capaz de imaginar.
Sou capaz de sentir que há o certo e há o errado. Porém, uma vez que minha existência é limitada, ela nunca será verdadeiramente certa ou verdadeiramente errada. Uma vez que minha existência é limitada, ela é uma ilusão. Existindo como ilusão, não é possível saber aquilo que é a verdade. A única pura verdade da minha existência é que nada nela é a pura verdade. Minha existência é a antítese da verdade.
Como toda antítese necessita de uma tese para existir, a minha existência ilusória necessita de uma existência verdadeira. Minha existência não é aquilo que é, mas eu existo. E assim, necessito de uma existência daquilo que é. Esta necessidade é a única parte comum em tudo aquilo que existe como eu existo. Uma necessidade intensamente profunda, inerente a existência de tudo aquilo que existe como eu existo.
(25/06/2025)

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