A sede pela perfeição me parecia uma particularidade. Restrita para os indivíduos ambiciosos, que ousam chegar no limite que seus corpos permitem — jamais imposto pela mente. O perfeccionista me parecia um ser amaldiçoado. O seu destino seria viver insaciavelmente com uma doença consumptiva. Outrora, ele me parecia agraciado com determinação para então, vencer contra todos os erros. E vivia neste limbo entre a glória e a agonia.
Na incerteza, eu negava a segurança da mediocridade. Me lancei para o espetacular e conquistei, razoavelmente, o já conhecido. Nunca cheguei nas terras absurdamente restritas para aqueles heróis ambiciosos. Cheguei num momento assíncrono com os arredores. E somente aqui percebi que a maldição agonizante da glória não era dedicada a um seleto grupo.
Aquilo que um dia fez meu corpo todo pulsar em sua direção, já era conhecido por ela. O que ele conquistou afogado em lágrimas, eu fiz sem propósito. Questionei a existência sem as múltiplas fomes e encontrei a verdade sobre o amor. Saciado em uma coroa de espinhos, ele não busca, somente é.
(08/02/2026)

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